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O poder silencioso da primeira impressão

Não somos julgados pelo que somos, mas pelo que comunicamos nos primeiros segundos

A primeira impressão é a que fica — e não por acaso. Em pleno século 21, quando as interações são rápidas, visuais e muitas vezes mediadas por telas, o impacto inicial se tornou ainda mais determinante. Ignorar a própria imagem não é sinal de autenticidade, mas de descuido estratégico. A primeira impressão, seja positiva ou negativa, se forma rapidamente e leva tempo para ser desconstruída. Quando é favorável, abre portas, facilita diálogos e amplia oportunidades. Quem “vai com a sua cara” recomenda, confia, respeita e constrói reputação a seu favor.

Como especialistas em imagem e comportamento, costumamos reforçar: não somos julgados pelo que somos, mas pelo que comunicamos nos primeiros segundos. E esses segundos são decisivos. Estudos indicam que o cérebro humano forma impressões em frações de tempo, alguns apontam para milionésimos de segundo, a partir de estímulos visuais como postura, expressões faciais, linguagem corporal e vestimenta. Essa leitura inicial tende a se cristalizar, influenciando percepções futuras sobre credibilidade, competência e liderança. Por isso, profissionais que desejam se destacar precisam entender a primeira impressão como a base sobre a qual relações, negócios e redes de contato são construídos.

No ambiente profissional, uma boa primeira impressão favorece negociações, define lideranças e fortalece vínculos com clientes e equipes. Na esfera pessoal, influencia decisões de aproximação ou afastamento e pode ser determinante para novas experiências. É a partir dessa lógica que empresas e marcas investem cuidadosamente em identidade visual, escolhendo cores, formas e linguagem capazes de gerar identificação imediata com seu público. O mesmo raciocínio se aplica à imagem pessoal: ela pode, e deve, ser construída de forma intencional. Ainda assim, imagem sem coerência não se sustenta. Apenas a consistência entre aparência, comportamento, competência e conhecimento técnico consolida uma reputação sólida e confiável.

Há quem questione se um intervalo tão curto, às vezes, um simples piscar de olhos, pode carregar tamanho poder. A resposta é objetiva: pode, e carrega. A primeira impressão é objeto de estudo há décadas, mobilizando psicólogos do comportamento e neurocientistas interessados em compreender como o cérebro humano faz a primeira avaliação do outro e toma decisões sociais em diferentes contextos.

A pesquisadora Chujun Lin, professora da Universidade de Columbia, dedica seus estudos a entender que impressões formamos, por que as formamos e como elas afetam nosso comportamento em relação às pessoas. Suas pesquisas mais recentes, iniciadas em 2025, mostram que julgamentos iniciais influenciam inclusive a forma como interpretamos pensamentos e emoções alheias. Lin identificou que a roupa tem impacto maior na percepção de atratividade do que traços faciais, enquanto ações e comportamentos são mais relevantes para avaliar dominância do que a estrutura do rosto. Segundo ela, as impressões não se organizam apenas em eixos simples como “simpatia” ou “competência”, mas em um modelo complexo que envolve cultura, contexto e objetivos de quem observa. Trata-se de um processo universal, presente em diferentes culturas, ainda que atravessado por vieses. O cérebro, explica a pesquisadora, prioriza expressões faciais para julgar cordialidade, mas observa atitudes para avaliar competência.

Diante disso, o convite é claro: olhar para si mesmo com consciência e intenção. Imagem não é vaidade; é comunicação estratégica. Quando bem alinhada ao comportamento, ela fortalece relações, sustenta discursos e constrói credibilidade. E, como sabemos, uma imagem bem gerida continua valendo mais do que mil palavras.